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quinta-feira, 11 de outubro de 2012

A Maior Flor do Mundo - José Saramago


Terra dos Homens - Saint-Exupéry

Terra dos Homens


Nesse livro, Antoine de Saint-Exupéry (o mesmo autor de O Pequeno Príncipe) narra diversos episódios nos quais os valores morais levam homens a fazer enormes sacrifícios e a encontrar insuspeitadas reservas de energia para vencer desertos, neves eternas, hostilidades de beduínos sublevados.

"Não se trata, porém, de livro de aventuras ou de explorações. Terra dos Homens é, na verdade, uma amorosa meditação sobre o senso de responsabilidade; o valor do coleguismo, o prazer de uma conversa solta numa roda alegre após um dia duro de trabalho; a emoção de ver o sol se pôr na imensidão do mar, a alegria do aceno de uma menina... - episódios de um poema em prosa que celebra a natureza, o sentido da vida, a dignidade do trabalhador." (Correio da Cidadania)

Para jovens de 14 e 15 anos


Editora: Nova Fronteira
Autor: ANTOINE DE SAINT-EXUPERY
Número de páginas: 144
Acabamento: Brochura

Tipos de Narrador

Modos de Narração

Quando decidimos embarcar em uma história de ficção, entregamos ao escritor nossa atenção e boa vontade, acreditando em sua competência para satisfazer nossos desejos de leitores. Nossas motivações para iniciar a leitura de um texto (informação, entretenimento, aprendizado, reflexão, obrigação) estão intimamente ligadas às expectativas que são criadas em relação ao seu conteúdo.

É responsabilidade do escritor administrar essas expectativas de forma a tornar a leitura do texto relevante e interessante.

Queremos ser surpreendidos por narrativas que apresentem personagens novos e/ou acontecimentos inesperados. A leitura de textos de ficção implica em um desligamento temporário da realidade concreta e a assimilação de uma realidade imaginária. O trabalho do escritor é criar essas realidades imaginárias de modo que elas façam sentido dentro do contexto da história.
Para isso, o escritor precisa estar consciente das suas escolhas quanto aos modos de narração, que consiste em uma série de decisões em relação à estrutura e organização do enredo.

Narrador

É quem conta a história. É ele que vai estar em constante contato com o leitor para guiá-lo pelo universo ficcional a partir do seu ponto de vista.
O narrador pode contar a história a partir de 4 pontos de vista diferentes: primeira pessoa, segunda pessoa, terceira pessoa e ponto de vista alternado. Ele pode ser um personagem criado ou pode ser o próprio escritor.

Primeira-pessoa (eu, nós)

O uso desse ponto de vista requer que o narrador seja um personagem participante da história. É comumente usado quando se quer transmitir abertamente para o leitor os pensamentos do narrador, já que permite a exploração de diversos aspectos desse personagem através do seu jeito de contar a história.
O foco dessa abordagem está na visão do narrador sobre os acontecimentos, que é comprometida pelas suas opiniões e julgamentos, e não permite que o leitor tenha acesso direto aos pensamentos e sentimentos de outros personagens, a não ser que estes tenham sido expressos para o narrador.
O narrador, nesse caso, pode ser o protagonista da história, alguém que tem uma relação próxima com ele, um personagem auxiliar que não tem muita relevância no enredo, um personagem neutro relatando uma história que alguém lhe contou ou mesmo o próprio autor, que, nesse caso, vira personagem.

Segunda-pessoa (tu, você)

O narrador reconhece a presença do leitor ao referir-se a ele diretamente, tornando a relação mais próxima ao incluí-lo como um personagem que deve aceitar seu papel na história passivamente. É como se o escritor estivesse narrando uma história a respeito do leitor, o qual não tem nenhum conhecimento sobre os acontecidos.
O uso da segunda-pessoa permite que o leitor se imagine como parte da história. Um exemplo disso é quando o narrador usa um tom acusatório.

Terceira-pessoa (ele(a), eles(as))

Esse ponto de vista oferece grande flexibilidade ao escritor e é o modo narrativo mais utilizado na literatura. O narrador não participa da história. Ele se apresenta como um observador cujo o trabalho é relatar o enredo para o leitor.
O grau de conhecimento desse narrador em relação aos personagens pode variar. Pode ser objetivo e limitado, mostrando apenas o que é visível e observável (como quem captura imagens com uma filmadora), ou pode ser subjetivo e onisciente, tendo conhecimento e controle sobre tempo, lugares e eventos, além de ter acesso aos pensamentos e sentimentos dos personagens.
Também é possível criar um narrador entre esses dois extremos. Um que, por exemplo, saiba tudo sobre o protagonista – incluindo seus desejos, medos, angústias – mas seu conhecimento esteja limitado a esse personagem.
Outra possibilidade é a criação de um narrador que procura manter um distanciamento no relato dos fatos, mas que intervém na história fazendo observações e julgamentos sobre os personagens.

Ponto de vista alternado

Alguns autores optam por alternar o ponto de vista entre primeira e terceira pessoa. Ele se movimenta entre um narrador onisciente para um mais próximo do leitor, que fala na primeira pessoa. As novelas epistolares são um exemplo do uso desse ponto de vista.
Elas consistem em uma série de cartas escritas por diferentes personagens ou mesmo por um único personagem, alternando entre primeira e terceira pessoa.

Voz narrativa

Determina de que forma o leitor vai entrar em contato com a história.

Fluxo de consciência

Normalmente usado na primeira pessoa, oferece a perspectiva do narrador sobre a história procurando reproduzir o seu modo de pensar (ao invés de simplesmente relatar ações e diálogos). O mundo interior do narrador – incluindo aí seus desejos, motivações, pensamentos – são expressos para o leitor.

Voz do personagem

O narrador é um personagem que conta a história para o leitor. Ele pode fazer parte da história, sendo parte integrante do enredo e tendo contato com outros personagens, ou pode simplesmente assumir uma postura de distanciamento entre ele e a trama.

Voz duvidosa

O escritor usa um narrador com pouca ou sem credibilidade para passar ao leitor um senso de descrença, suspeita ou mistério sobre o que deve ser considerado verdade e mentira. Dessa forma o autor está sugerindo que o narrador é psicologicamente instável, é parcial, ignorante, infantil ou não tem conhecimento sobre aquilo que está falando. É uma técnica usada para preparar o leitor para uma possível reviravolta mais adiante na história.

Voz epistolar

Trata-se do uso de uma série de cartas e outros documentos para contar uma história. O narrador pode ser alternado, quando mais de um personagem escreveu os textos, ou pode ser um narrador neutro, que simplesmente reuniu todos os documentos que compõem a história.

Vozes na terceira pessoa

É quando o narrador apresenta pensamentos e sentimentos de um ou mais personagens. Voz objetiva é quando o narrador conta a história sem descrever ou comentar nada sobre o mundo interior dos personagens. Ele é um espectador descomprometido que procura apenas registrar acontecimentos sem interpretá-los.
É uma narrativa parecida com a dos artigos de jornais, que querem transmitir neutralidade e imparcialidade. Voz onisciente é quando o narrador não participa da história, mas tem conhecimento sobre todos os fatos a seu respeito, incluindo o que pensam e sentem os personagens.
Esse modo narrativo atribui veracidade à história, já que não há outro narrador/personagem que possa desmentir os fatos apresentados e mudar o curso do enredo de forma inesperada. A voz onisciente é bastante usada em épicos, histórias extensas e complicadas que envolvem diversos personagens e um período de tempo prolongado.
Pode gerar distância entre o leitor e a história por reduzir a possibilidade de identificação entre ele e os personagens. Voz onisciente universal é similar à anterior, com a diferença que o narrador revela informações que os personagens não sabem, o que reforça a ideia de distanciamento entre o narrador e o círculo de ação da história.

Estrutura narrativa

É a definição da ordem em que os eventos do enredo são apresentados durante a história.

Linear/Causal/Histórico/Cronológico

O enredo é construído em uma sequência de eventos que acontecem em ordem cronológica e têm causa e efeito.

Não linear/Psicológico/Interior/Pessoal

O enredo não é construído em ordem causal. Os eventos são apresentados de forma não-cronológica ou aleatória, movimentando-se entre o presente, acontecimentos passados e/ou visões do futuro, ou mesmo apresentando primeiro as consequências das ações de um personagem, cuja causa somente será revelada mais tarde na história.

Tempo narrativo

Determina se a história vai se passar no passado, presente ou futuro.

Passado

Os acontecimentos narrados aconteceram em algum momento antes da história começar a ser contada.

Presente

O enredo está acontecendo agora, em tempo real.

Futuro

Os acontecimentos são narrados como se ainda estivessem por acontecer. Passa a ideia de que o narrador sabe (ou pensa que sabe) o que vai acontecer no futuro.

Espaço da narrativa

Trata-se da escolha dos cenários onde a história vai se desenrolar.

Ambiente realista

Espaço social onde a história é contextualizada.

Ambiente Geofictício

Espaço social criado com base na realidade para servir de cenário para uma narrativa.

Ambiente fantástico

A narrativa acontece em um cenário fictício que se distancia da realidade.

Ambiente psicológico

A narrativa acontece dentro da mente de um personagem.


http://ficcao.emtopicos.com/estrutura/modos-de-narracao/

Os Criminosos vieram para o chá - Stella Carr



   Sinopse - Os criminosos vieram para o chá - Stella Carr

 

Esta história vai prender a atenção dos amantes de espionagens e desvendamentos de casos quase impossíveis.Acontece um roubo sinistro, nenhum vidro quebrado, trancas e cadeados inviolados, silêncio total na madrugada cinza e fria.Mas,nada era problema para Antony, Denis, e Paul, amigos inseparáveis de cela e profissão. Nem mesmo o fato de serem passados para traz pelo pelo quarto homem, o mentor extraodinário do roubo, os intimidavam: foi preciso somente trocar, na cara dele, o estojo das pedras preciosas. Mas, o que eles não esperavam nessa trama toda, porém, com pequenas adversidades: uma velhinha sonsa e desmemoriada, um portão de ferro muito velho, um modo esquisito de exterminar ratos... Nessa história fascinante e surpreedente, porque temer a Scotland Yard? Vale a pena conferir.

A Carta Roubada - Edgar Allan Poe


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Personagem

A força dramática de um enredo está na busca de realização de um desejo de um personagem, e na oposição das forças de antagonismo que dificultam ou impedem que ele alcance aquilo que quer.
Portanto, ao caracterizar o protagonista da sua história, você deve considerar a rede de relações e oposições que ele forma com os outros personagens. A inclusão de qualquer outro personagem deve ter o objetivo claro de movimentar o enredo em favor ou contra o protagonista.
O desenvolvimento e caracterização desses outros personagens devem reforçar a importância do que o protagonista deseja alcançar, ou devem criar conflitos que o atrapalhem.
Considerando a sua importância na narrativa, podemos classificar os personagens como:

Protagonista

É o personagem mais bem desenvolvido na história. Ele é o centro nervoso da trama que sustenta o eixo narrativo. Todos os eventos, personagens e elementos da história giram ao seu redor.

Personagem central

É o personagem que desperta maior excitação e ansiedade nos leitores. O personagem central não é necessariamente (mas pode ser) o protagonista da história. A grande diferença entre os dois é que o primeiro envolve o leitor principalmente através de ação enquanto o segundo provoca a curiosidade da audiência através da sua personalidade.

Co-protagonista

É o personagem que tem relação próxima com o protagonista e, de alguma forma, o ajuda na busca de seu objetivo.

Antagonista

É o personagem (que pode também ser um objeto, animal, monstro, espírito, instituição, grupo social, limitação de ordem física, psicológica, social ou cultural) que traz ou representa uma ameaça, obstáculo, dificuldade ou impedimento ao que o protagonista deseja conquistar.

Oponente

É o personagem que tem relação próxima com o antagonista e o auxilia na sua missão de se colocar entre o protagonista e seu objetivo.

Falso protagonista

É um personagem que é apresentado de forma a induzir o leitor a acreditar que ele é o foco principal da trama para, na sequência, revelar quem é o verdadeiro protagonista como uma dose de surpresa.

Coadjuvante

Personagem secundário que auxilia no desenvolvimento da história.

Figurante

Personagem com papel ilustrativo, que não tem relação com o enredo ou nenhum dos personagens. São usados apenas para compor um cenário.

Em relação à existência dos personagens, podemos classificá-los como:

Real ou histórico

Personagens que realmente existiram e que o autor tenta reproduzir com certo grau de fidelidade.

Fictício ou ficcional

Personagens criados com base em pessoas reais, estereótipos ou arquétipos, que vivem histórias que poderiam acontecer com pessoas comuns.

Real-ficcional

Personagens que são reais, mas com personalidades fictícias, à quem o autor atribui identidades diferentes que lhe são mais convenientes para desenvolver o enredo.

Ficcional-ficcional

Personagens totalmente ficcionais, que tem características físicas e/ou psicológicas só possíveis no contexto imaginativo da ficção, comum nos gêneros de fantasia, terror e ficção científica. 

10 técnicas para fazer os leitores se identificarem com seu protagonista.

O ditade é velho e conhecido: ninguém é perfeito.
Todos nós cometemos erros, temos problemas, preocupações, nos sentimos culpados, temos arrependimentos, sofremos. Essas são experiências que fazem parte da vida e do nosso processo de autoconhecimento.
Se algo parece muito bom para ser verdade é porque simplesmente seus defeitos foram bem escondidos.

O tempero da vida está nos dramas pelos quais todos nós passamos e a forma como superamos dificuldades e obstáculos. O mesmo se aplica ao protagonista de uma história.

Um personagem perfeito, sem falhas de caráter, medos, angústias, pontos fracos e comportamentos contraditórios não é verossímel e não provoca identificação com os leitores, já que não há espaço para uma trajetória de transformação.
Ainda que os desejos específicos do personagem não sejam iguais aos dos leitores, a identificação pode ocorrer em níveis mais profundos e simbólicos da experiência humana.
Leia abaixo 10 técnicas para transformar seu protagonista em um personagem interessante passível de identificação com os leitores.

1. O que o seu personagem quer para si.

Estabeleça com clareza qual o objeto de desejo ou objetivo do seu protagonista e o quão desesperadamente ele quer alcançar esse objetivo.
Torne isso visível em todas suas ações. Seja o mais específico possível.
Quanto mais claro o desejo, mais fácil de o leitor decidir se é contra ou a favor dele.
Se o objetivo do personagem é salvar o mundo de um ataque extra-terrestre, descubra qual o seu motivo pessoal para fazê-lo.

2. Foco nos pontos vulneráveis do personagem.

Todos nós temos pontos fracos, dificuldades físicas, emocionais e/ou sociais.
Temos uma tendência de simpatizar com pessoas mais frágeis ou em desvantagem, talvez porque todos já passamos por alguma situação onde nos sentimos assim. Essa posição de desvantagem abre a possibilidade de crescimento e aprendizado.
Ganhe o apoio dos leitores na torcida pela superação das dificuldades do seu protagonista mostrando sua vulnerabilidade.

3. O que está em jogo?

Assistir um jogo amistoso não tem a mesma emoção do que assistir uma final de campeonato.
Jogar cartas por simples prazer não exige tanto foco ou envolve tanta ansiedade quanto jogar por dinheiro. Em qualquer decisão, sempre há algo em jogo.
O que o protagonista tem a perder na busca de seu objetivo? O que acontecerá se ele não conseguir o que quer?

4. Mostre os pontos fracos do personagem através de diálogos e ações.

Há uma lacuna entre a descrição que se ouve de uma pessoa e nossa percepção quando a conhecemos pessoalmente.
A melhor forma de se conhecer alguém é conversando e suas observando atitudes.
Use diálogos e cenas de ação para revelar a personalidade do personagem. Faça cada ação mostrar algum aspecto de sua identidade.

5. Escreva como se fosse o personagem.

Incorpore a personalidade do protagonista.
Aja e reaja como ele, não como você. Talvez ele tenha opiniões, experiências e visões de mundo diferentes de você.
Não tente usá-lo como porta-voz de suas convicções. Escreva sem julgá-lo. Deixe ele expressar quem ele é.

6. Coloque seu personagem sobre constante pressão.

Algumas pessoas mudam completamente quando estão sob pressão e isso revela muito a respeito de suas personalidades.
Operar em modo de emergência exige uma série de habilidades e controle emocional que muitos não tem desenvolvidos.
Coloque seu personagem em situações extremas e revele aspectos de sua personalidade através de suas reações.
Mostre ao leitor as situações que o personagem está disposto a enfrentar para conquistar aquilo que quer.

7. Faça seu personagem cometer erros.

Resolver o problema dos outros é bem mais fácil do que resolver os nossos.
Sempre temos teorias milagrosas de como tirar um amigo de uma situação indesejada, mas quando o problema é nosso, muitas vezes não vemos solução.
Isso acontece porque quando não temos envolvimento emocional direto com um problema, é possível ser mais objetivo e racional em sua avaliação.
Crie tensão e conflito no enredo fazendo seu personagem tomar decisões erradas, ainda que seja óbvio para o leitor que outra decisão é mais sensata.

8. Coloque o personagem no fundo do poço.

Mesmo que muitos acreditem que não há nada tão ruim que não possa piorar, há momentos em que se chega em um ponto onde as estruturas físicas e psíquicas estão prestes a explodir.
Esse ponto é extremamente pessoal e cruzar esse limite é quase inimaginável.
Coloque o protagonista nessa situação, ajude-o a se recompor ou termine a história por aqui mostrando ao leitor as causas e consequências de seu fracasso.

9. Mostre o progresso do seu personagem na busca do seu objetivo.

Não queremos ver o protagonista fracassando o tempo todo.
É preciso dar ao leitor um senso de progressão ao longo do enredo.
Mostre as pequenas conquistas do personagem e como elas o aproximam cada vez mais daquilo que ele quer.

10. Iluda o personagem fazendo ele acreditar que atingiu seu objetivo.

Dois temperos fortes usados em histórias são frustração e recompensa.
O leitor quer suas expectativas correspondidas, mas ele não espera receber nada de mão beijada.
Ele está disposto a sofrer com o personagem contanto que se sinta recompensado de alguma forma no final da narrativa.
Deixe seu protagonista chegar bem perto ou mesmo conquistar aquilo que quer por um período de tempo limitado e, na sequência, deixe escapar de suas mãos ou frustre suas expectativas quanto aos resultados alcançados.

Independente do desenvolvimento do seu protagonista em um personagem complexo ao longo da narrativa, é preciso fazer com que o leitor se interesse pela história já nos primeiros parágrafos. Eles são primordiais no processo de decisão de leitura do texto completo.

17 técnicas para captar a atenção do leitor nas primeiras linhas da história.

Um texto de ficção é um convite de viagem a um universo alternativo que o leitor sempre pode recusar.
Antes de começar a escrever, considere essas duas perguntas: qual é a história que você quer contar e como você vai fazer isso.
As primeiras linhas, os primeiros parágrafos ou as primeiras páginas (dependendo da extensão da narrativa) são definitivos no processo de decisão de leitura de um texto e devem deixar claras as respostas para essas duas perguntas.
Imagine que você tem diante de si uma infinidade de portas fechadas. Ler um texto é como abrir uma dessas portas. No início da leitura, você está espiando o que está por trás de uma porta, procurando por algo que lhe ajude a decidir se vale a pena entrar e explorar esse espaço.
Você ouve os diálogos, observa os personagens, analisa a locação e, acima de tudo, procura entender o porquê e qual o sentido de tudo aquilo estar acontecendo. Como escritor, o seu papel é captar a atenção e despertar o interesse daqueles que abrem as suas portas.

Nesse primeiro momento, o leitor está em busca de ordem, de uma moldura que limite a história e permita um entendimento sobre seu sentido.

São informações essenciais: quem é o personagem, em que período e cenário ele se encontra e qual é o seu desejo, o que ele quer alcançar. Ele precisa disso para avaliar se prosseguirá na leitura do restante do texto e, nesse caso, para que possa relaxar e acompanhar mais de perto a trajetória dos personagens. O escritor deve começar a construir essa estrutura já nas primeiras frases.

O início de um texto sempre exige um esforço extra dos leitores na assimilação de conceitos, dinâmicas, temas, cenários, estilo do escritor e todos os demais elementos da história.

Trazer novos elementos que tem papel significativo no enredo depois de estabelecer seus limites no início da narrativa gera descredibilidade no escritor.
Tudo que for relevante para se entender a essência da história deve ser apresentado em seu início de forma a auxiliar o leitor no seu processo de decisão em participar ou não daquele universo ficcional.
O início de um texto define a estrutura do enredo, o tom, a intenção, o tema e mesmo o final da história. É um speed dating com o escritor, é a chance de conquistar a simpatia do leitor. Seu objetivo é deixa-lo inquieto, curioso, inspirado, entusiasmado com o que virá pela frente na história.
Conheça 17 técnicas que vão lhe ajudar a captar a atenção do leitor já nas primeiras linhas.

1. Mistério

“Era o décimo avião a aterrissar na minha cidade naquela manhã. Provavelmente um recorde para uma cidade que não tem um aeroporto”. Envolva os seus personagens em situações misteriosas já no início da história. Apresente um evento aparentemente sem sentido, ou algo que o leitor não consiga compreender completamente nesse ponto da história e solucione o mistério mais tarde no enredo.

2. Provocação

“Quanto mais livros você lê, mais idiota você fica.” Comece com uma afirmação dramática ou impopular. Desafie uma crença ou conhecimento estabelecido. Mesmo que seus leitores discordem de você instantaneamente, eles vão investir tempo suficiente para descobrir de onde você tirou essa ideia maluca.

3. Auto-análise

“Sim, sou ciumenta. Descontroladamente ciumenta. E eu sempre achei que meu marido soubesse disso. Mas poucos segundos antes de puxar o gatilho, percebi na sua expressão que talvez ele não soubesse.” Inicie sua história com a reflexão de um personagem sobre um aspecto da sua personalidade.

4. Caracterizando o protagonista

“Eu tenho noventa anos. Ou noventa e quatro. Tenho quase certeza.” Inicie apresentando alguma característica do personagem principal da sua história, mostrando aos seus leitores aspectos essenciais sobre sua personalidade.

5. Cenário atípico

“Era a primeira vez que eu via flores maiores que árvores.” Apresente já nas primeiras linhas um cenário atípico, que fará o leitor ficar atento e curioso. Descreva detalhes interessantes e pouco usuais que façam ele se perguntar “que lugar é esse?”.

6. Objeto valioso

“Aquele era o primeiro quadro na história da humanidade a ser oficialmente declarado como o provocador de uma guerra.” Apresente um objeto de extrema importância para a história e crie tensão ao seu redor através de um desaparecimento misterioso, um roubo, um acidente que o danifica. O que acontecerá se o objeto for destruído? Qual é a sua real importância? E se o objeto cair nas mãos da pessoa errada?

7. Contrastes na cena de abertura

“Quando Ana disse ‘sim’ durante a cerimônia do seu casamento, ela teve certeza que de aquele tinha sido o melhor momento da sua vida. O pior momento da sua vida veio logo na sequência.”  Inicie compartilhando um momento feliz  ou importante na vida de um personagem e, logo na sequência, crie contraste fazendo algo improvável ou ruim acontecer.

8. Fato ou revelação surpreendente

“Meu filho não parou de chorar desde que descobriu que eu servi o seu cachorro de estimação no churrasco do domingo passado.”  Choque o leitor revelando algo interessante ou pouco usual sobre um personagem, algo que o faça querer saber mais sobre ele. Apresente uma informação impossível de ignorar.

9. Notícia de jornal, artigo ou carta

“Prezado Senhor Galvão. Da próxima vez que você dormir com a minha esposa, não vou ser tão educado.” Inicie a narrativa de forma direta, apresentando uma notícia de jornal, um artigo ou uma carta, dando a impressão que ela caiu nas suas mãos por coincidência ou foi enviada ao narrador por um determinado motivo. Faça referência a uma história real que o leitor conheça, ou uma que esteja relacionada ao tema ou um personagem da narrativa.

10. Humor

“Meu marido só têm duas emoções: com fome e com tesão. Quando percebo a ausência de uma ereção, eu lhe preparo um sanduíche.” Inicie sua história com uma piada, anedota ou um acontecimento engraçado.

11. Verdade

“Aqueles que criticam nossa geração esquecem de quem nos educou.” Reflita sobre a história que você quer contar e procure uma verdade profunda e quase incontestável sobre um personagem ou tema abordado na narrativa. Transforme ela na sua frase de abertura.

12. Confidente

“Hoje fazem 2 anos que minha filha faleceu. Enquanto minha mulher chora de tristeza, eu choro de alívio em segredo.” Faça do leitor um confidente do protagonista. Crie uma sensação de intimidade fazendo o personagem revelar seus segredos e desejos mais pessoais. Faça o leitor acreditar que tem acesso completo aos seus pensamentos.

13. Conflito

“Eu pisava no freio como quem mata um inseto que detesta e repudia, com raiva e desespero. Mas o carro não dava nenhum sinal de que iria responder ao comando do meu pé.” Apresente conflito (ou pelo menos a promessa iminente de conflito) no início da história. Coloque um personagem em uma situação difícil de solucionar e deixe o leitor angustiado com as possíveis consequências do que está prestes a acontecer.

14. Expectativas

“Eu quero morrer em paz no meu sono, como meu avô. Não gritando desesperadamente como os passageiros desse avião.” Use as primeiras linhas para estabelecer certas ideias na mente do leitor e, em seguida, surpreenda suas expectativas dando à narrativa uma direção diferente daquela esperada.

15. Jogo contra o tempo

“Acordei com um cheiro forte de vômito. E antes mesmo de poder lembrar exatamente do que tinha acontecido, eu olhei para o relógio e percebi que  tinha pouco menos de 10 minutos até que meu chefe entrasse no escritório e me encontrasse apenas de cueca.” Estabeleça um limite de tempo no início da história para que o protagonista finalize uma tarefa ou alcançe um objetivo, deixando claro as consequências desastrosas caso ele falhe em sua missão.

16. Significados

“Toda vez que ela se aproxima de mim, meu coração pula uma batida.” Use metáforas para descrever e ilustrar as emoções dos seus personagens. Jogue com o significado das palavras.

17. Uma pergunta intrigante

“Sabe qual é o segredo para triplicar o seu salário sem mudar de emprego?” Coloque uma pergunta intrigante na mente do leitor. Você não precisa necessariamente escrever a pergunta. Ela pode estar implícita na forma como o narrador inicia a história.

Essas técnicas não devem ser usadas unicamente com o objetivo de captar a atenção do leitor. Elas devem se relacionar de alguma forma com o resto da história e contribuir para tornar a narrativa atraente e interessante desde o início.
Se você está escrevendo um livro, não espere por muitas páginas para começar a história. Se está escrevendo um conto, não espere por muitos parágrafos. Seja direto, não perca tempo com parágrafos, frases e palavras desnecessárias.
Apresente somente cenas e imagens relevantes que  avancem a história ou investiguem o tema que está sendo desenvolvido. Foco é essencial já nas primeiras linhas.

Escrever é, em essência, reescrever. É descobrir e trabalhar todos os detalhes da sua voz de escritor e explorar todas as suas possibilidades para compor histórias únicas.

Uma voz de escritor confiante e um jeito único de ver o mundo são os elementos mais efetivos para captar a atenção do leitor nas primeiras linhas.
Depois de despertar o interesse dos leitores no início da narrativa, o que fará o enredo se desenvolver serão as cenas. Elas tem o objetivo de fazer a manutenção das expectativas criadas nos primeiros parágrafos e contribuir para complexificar o tema que está sendo trabalhado na história.


Como caracterizar os personagens de uma história de ficção?

Caracterização é o processo de construção de um personagem em todas as suas dimensões ao longo da narrativa.
Isso inclui suas características físicas, o jeito como se veste, anda, fala, se relaciona, suas motivações, objetivos, desejos, aspirações, frustrações, pensamentos, preocupações e experiências.
Dentre esses detalhes, o escritor desenvolve apenas os que forem necessários para escrever cada história. Em certos casos, a forma como o personagem se veste é extremamente importante para sua caracterização. Em outras narrativas, conhecer a forma como o personagem fala talvez seja imprescindível para que o leitor compreenda sua personalidade.
O processo de caracterização deve levar em consideração dois tipos básicos de personagens.

1. Personagens simples

São criados com base em um traço principal da sua personalidade, que é apresentado de forma repetitiva. Eles são previsíveis, não têm grande vida interior e, portanto, não mudam no decorrer da história.
A ideia é caracterizá-los de forma clara como uma caricatura ou tipo, identificado simplesmente por uma profissão, comportamento, classe social ou qualquer outro traço distintivo comum aos membros de um certo grupo.
Personagens simples, quando criados intencionalmente, cumprem o papel importante de fazer contraste com os personagens em mutação e ser um referencial para sua transformação.

2. Personagens complexos

São criados para expressar toda a complexidade da natureza humana, suas ambiguidades, contradições e mistérios. Eles são imprevisíveis, tem grande vida interior e, portanto, tem potencial de transformação durante a narrativa.
Esses personagens são construídos para dramatizar o tema da história. Suas trajetórias são metáforas da forma como o escritor vê o mundo, e expõe os significado que ele dá para certas experiências.
As grandes histórias são sempre construídas ao redor de personagens complexos.  Seus conflitos refletem dramas humanos universais e permitem que o leitor se identifique com suas dificuldades, e torça para que ele alcance o que deseja.

Procure também identificar a classificação de cada personagem baseada no papel que ele desempenha na história. Com essas informações em mente, procure responder a essas 3 perguntas:

1. Quem é esse personagem?

Considere aspectos físicos (cor dos olhos, cabelo, pele, estatura, peso, porte), psicológicos (traumas, medos, segredos, atitude, personalidade, experiências) e culturais (roupas, hábitos, costumes, crenças).

2. O que esse personagem deseja alcançar?

Ele está em busca de prazer ou ele quer escapar de desprazer? Qual é o seu objetivo? Sua motivação? Ele quer resolver um crime? Matar um monstro? Salvar o filho? Encontrar a cura para uma doença? Ganhar a guerra? Conquistar uma mulher? Evitar que o planeta terra seja destruído? Viajar o mundo? Virar um cantor?

3. Por que ele tem tal desejo?

Quais são as motivações internas do personagem para alcançar seu objetivo? O que está por trás desse desejo? Que verdade sobre o personagem tal desejo revela? Do que ele está realmente em busca? O que ele quer alcançar internamente? Que sensações? Que sentimentos? Quais são suas maiores aspirações? Que impressão ele quer causar nos outros? Que sentido ele dá para sua vida?
O personagem está em busca de auto-conhecimento? De identidade? Do amor dos outros? De um sentido para sua vida? De conhecimento? De eliminação de culpa ou frustração? De paz de espírito? E por que ele está em busca disso? Qual é a origem desse desejo?

Nem todas as informações geradas durante a caracterização dos personagens precisam estar explícitas no texto em palavras. Permita que o leitor descubra detalhes sobre eles no contexto das cenas.

Comece criando seus personagens procurando desvendar e entender seu principal desejo. Relacione esse desejo com sua personalidade, e faça sua aparência física, jeito de se vestir, agir e se comportar expressar sua identidade.

É comum o escritor descobrir as características dos seus personagens a medida que vai escrevendo, mas também há quem prefira escrever uma biografia de cada participante da história antes de começar a trabalhar o enredo.
Independentemente dessa escolha, o processo de caracterização de personagens envolve um exercício cuidadoso de busca por um conhecimento profundo sobre sua personalidade e seus desejos.

Quer saber mais? 

http://ficcao.emtopicos.com/criar-personagem/caracterizacao/

O texto narrativo